Um dos fatores que mais atrapalham o desenvolvimento do ramo logístico no país é a falta de infraestrutura, principalmente no modal rodoviário. Enquanto a área de logística inova em alternativas para superar crises financeiras internas e externas, investe em espaço para armazenagem e faz de tudo para absorver e dar conta de variados tipos de demanda, o setor sofre por ter uma concentração de 60% das suas atividades em estradas, sendo que essas apresentam algum tipo de deficiência em 73,9% delas.

Os números são de uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), realizada em 2007, ou seja, há cinco anos os números logísticos já eram promissores economicamente e os problemas já existiam, mas ainda são muitos, apesar de todos os alertas de importantes órgãos do país. O curioso é que, mesmo com tantos empecilhos que emergem por conta disso, como a falta de segurança para os motoristas, danos mecânicos aos caminhões, risco de deterioração das cargas, desperdício (lembrando a quantidade de soja que se perde pelo caminho) e desgaste físico dos profissionais, que acabam se tornando agentes de graves acidentes, pouco se faz para mudar essa situação.

A impressão que se tem é que as empresas precisam lutar contra uma correnteza sem tréguas. Em vez de aumentarmos a força e a potência para vencermos a maré, ela vem nos engolindo. Países como os Estados Unidos e Japão e o continente europeu chegam a investir de 25% a 30% em soluções logísticas. Aqui no Brasil as empresas que mais dão importância ao setor não passam dos 5% em investimentos. Se a corda estoura do lado mais fraco, nesse caso é o Brasil que sai perdendo e já deveríamos estar, há muito tempo, com as luzes de alerta acesas.

A logística responde por uma boa parte do lucro do setor produtivo, mas a visualização desse lucro não é tão evidente, talvez por isso ocorra tanto desdém. O entendimento de que evitar o desperdício e otimizar as operações gera divisas está consolidado em poucas empresas, que, quanto mais organizadas forem, menos tempo levarem em seu ciclo de trabalho, mais poderão investir em outras áreas como, por exemplo, da tecnologia.

Em 2011, era estimado que o setor logístico movimentava cerca de US$300 bilhões e que esse número só dobraria em cinco anos. Já nos aproximamos do final de 2012 e, pelo menos visualmente, ou mesmo nos noticiários, não ouvimos falar em melhorias da infraestrutura, nem das estradas, nem do modal ferroviário, nem do hidroviário. Trazendo a conversa para um pouco mais perto, aqui no Paraná, apenas o porto de Paranaguá deverá passar por reformas, mas essas ainda não sabemos que resultados trarão, pois o deslocamento de caminhões até o porto ainda é muito complicado, gera filas e costuma atrasar o escoamento das safras e mercadorias. De maneira geral, em todo o país, o que temos são investimentos pontuais relacionados à Copa do Mundo de Futebol que virá para cá e as Olimpíadas, portanto, pelo menos até 2016 não vamos contar com muito investimento em infraestrura específica para acomodar melhor a logística.

Fato é que não dá para simplesmente pararmos com todas as atividades esperando a boa vontade do governo. Como bons brasileiros que somos o jeito é seguir apostando em melhorias unitárias. Se cada empresa que seguir a caderneta à risca, aos poucos o setor logístico tomará corpo e, assim, esperamos que em um futuro bem próximo, receberá a devida importância.