Final de ano é sempre um período tumultuado para o comércio. É uma época em que os consumidores estão muito mais dispostos a comprar e, portanto, as lojas e fábricas, normalmente, aumentam as suas produções. Essa movimentação e aumento de demanda acabam refletindo no setor de logística, tanto na parte de distribuição quanto de armazenagem.

A experiência dos atacadistas lhes diz que todo o ano é assim, mas, por inúmeros fatores, nem todos têm condições de estar organizados o suficiente para enfrentar a situação e, com isso, logo esbarram na dificuldade de alocar produtos e mercadorias. Parte do problema é a falta de infraestrutura do Brasil no setor de armazenagem. Se tomarmos o exemplo da produção agrícola, os noticiários no permitem saber que o país perde muito da sua produção por não ter onde armazená-la. Grãos que poderiam permanecer estocados até a próxima safra ou esperando um preço melhor acabam estragando ou sendo vendidos a preços muito baixos. Fora o desperdício durante o transporte, que, em 2010, rondava a casa dos R$2,7 bilhões perdidos com o derrame de grãos, englobando os principais modais de transporte (fluvial, rodoviário, ferroviário).

Logística
Nos demais setores produtivos, que não o de alimentos, a perda não é tão grande porque os produtos são menos perecíveis, mas, ainda assim, os gastos são exorbitantes desde a obtenção da matéria-prima até a chegada do produto final nas mãos do consumidor. Algo que poderia ser muito melhor otimizado. Voltando ao problema de final de ano, citando mais um exemplo, com os armazéns (ou centros de distribuição) lotados alguns produtos que poderiam chegar até o ponto de venda final com apenas uma viagem, acabam diluindo o percentual de lucro circulando de lá para cá e deixando o consumidor sem o seu objeto de desejo, o que, muitas vezes, coloca em risco toda uma estratégia de marketing e venda. É só buscar na memória quantas vezes alguém pediu um determinado produto em uma loja e obteve a resposta: “Estamos em falta e a fábrica não tem previsão de entrega”.

Desenvolvimento de estratégias
A melhor solução é pensar em tudo que engloba logística levando em conta as tendências futuras e as experiências do passado. Se o empresário sabe que o final de ano se apresenta como um momento crítico, a tomada de medidas antecipadas se converte em economia. Hoje em dia, os armazéns próprios podem ser perfeitamente complementados por locais terceirizados, com sistemas de gestão WMS e uso inteligente dos espaços. O aproveitamento produtivo é muito maior e a preocupação em resolver esse tipo de problema é muito menor. Sem exagero, empresas que buscam soluções estratégicas em logística, seja por consultoria externa ou contratação de serviços mais específicos, se interessam tanto pelo setor e suas nuances que acabam criando departamentos específicos para atender a área ou se relacionando de maneira mais estreita com as empresas de logística terceirizadas.

Para o bom andamento de todos os processos, seja em épocas de final de ano ou demais períodos, o pensamento estratégico deve estar focado na boa organização e infraestrutura interna ou terceirizada. Quanto mais otimizados forem os processos, maiores são as chances de sucesso.