Uma matéria interessante do jornal O Estado de São Paulo cita a necessidade de reestruturação nos gargalos logísticos para o escoamento da produção nacional, de todos os tipos, mas principalmente o de grãos. O texto fala bastante de logística e, inclusive, faz uma relação do tema com a construção acelerada e de primeira linha dos estádios de futebol para a Copa do Mundo de 2014. Com tanta exigência pelo “padrão FIFA”, e capacidade construtiva visível, com a matéria fica evidente a pergunta sobre os investimentos em logística e de infraestrutura brasileira: por que eles não andam a todo o vapor? Pergunta que mereceu um desabafo do diretor e professor titular da Esalq/USP, José Vicente Caixeta Filho. “O setor aguarda há tantos anos a solução para o gargalo em logística… E todos os estádios para a Copa estão sendo feitos em tempo recorde”, disse ele durante um encontro de profissionais.

Empresas de serviços terceirizados, como no caso da BPLog Logística, não param de trabalhar, mas aguardam a qualquer momento um anúncio de investimentos em soluções para a infraestrutura no país. É o mínimo que se espera dos governantes brasileiros, pois mesmo que haja constante evolução da administração das empresas privadas, chega um momento em que é o poder público quem decide. Na matéria, o diretor executivo da Procomex – Aliança Pró-Modernização Logística de Comércio Exterior, John Edwin Mein, chega a fazer um discurso mais duro sobre essa carência de administrações públicas que promovam mudanças. “Não ganharemos a Copa (do agronegócio) se mantivermos a infraestrutura e as instituições da área de logística como estão. Não temos visão integrada de logística no País. Sinto que é mais interessante ter um lugar para colocar amigos do que resolver as deficiências”, disse.

Opinião

Se algo não for feito em breve, é bem possível que o Brasil seja um eterno dependente da modalidade rodovia nos próximos 15 a 20 anos, o que seria um atraso. O baixo índice de crescimento econômico ocasionado pela falta de uma malha rodoviária adequada e portos mais avançados é inerente. Investimentos em ferrovias seriam uma saída, mas eles só têm sido feitos por grandes empresas privadas, o que, na prática, dificulta o acesso dos menores a um custo logístico mais baixo.

Para finalizar, John Mein tocou no assunto da armazenagem, relatando que o armazenamento sobre rodas ilustra bem as consequências da falta de armazéns para guardar os produtos a serem exportados e os recebidos em território nacional. Como dado importante, citou que entre 10% e 15% dos contêineres de Santos sofrem overbooking e ficam nos portos. Em outros países, o porcentual cai para 3% e 4%.

Por outro lado, é bom pontuar que empresas de logística como a BPLog destacam que a antecipação de crises é algo correlacionado com o planejamento das empresas. Não depende só da melhoria do setor de transportes, mas é óbvio que a interferência desse ramo é bem significativa. Mesmo assim, os serviços de logística terceirizada têm crescido. Empresários entendem que as suas operações não podem parar só porque o governo opta por não investir. É preciso tomar decisões. Elas são a vida dos empresários.

Bem, seguimos caminhando e sabendo que é sempre proveitoso levantar pautas a respeito da área logística, instigando o planejamento e tomada de novas direções para o progresso. O Brasil precisa disso.

Leia a matéria do jornal O Estado de S. Paulo

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