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Como pensar em Brasil sem pensar em capacitação profissional da logística?

O setor de logística no Brasil movimenta cerda de R$360 bilhões por ano. Os números são da Associação Brasileira de Logística (ABRALOG), responsável por organizar, planejar, transportar e distribuir bens de serviços no país. Mas esse valor e toda essa movimentação requerem a elaboração de estratégias inteligentes para não perder investimentos e, mais do que isso, estimular o crescimento. Saindo um pouco do terreno de análise macroeconômica e fazendo um corte para as empresas em si, as responsáveis por todo o bolo de atividades que envolvem o setor de logística, incluindo todo os ramos, entre eles o da logística interna, 71% das companhias no Brasil sofrem para atingir um nível satisfatório de mão de obra, segundo estudo anual feito pela Manpower Group (empresa de soluções em gestão e contratação de pessoas).

O que também assusta é o crescimento do índice, que em 2010 foi de 64% e, em 2011, de 57%. Fora que 34% dos contratantes do cenário mundial têm encontrado dificuldade para preencher vagas. Não é diferente no Brasil, ainda vivemos uma realidade de crescimento de até 5% ao ano do ramo da logística, mas não significa que as empresas não precisem estar atentas à necessidade de se organizarem nesse sentido. Atentas, muitas delas já terceirizam a sua logística interna, logística reversa, de distribuição e transportes. A terceirização não deve ser encarada como algo pejorativo, e sim, como uma política inteligente de profissionalização do setor. Se pensarmos que uma empresa especializada em logística vai oferecer serviços de ponta, a preocupação com a qualidade da mão de obra deixa de ser um fantasma, pois é certo que os profissionais contratados serão qualificados.

Funcionando a pleno vapor e com a certeza de que o trabalho está sendo bem feito, o foco dos empresários passaria a ser a cobrança por investimentos do governo na rede viária, ferroviária, aérea e portuária do país, com o intuito de garantir a qualidade dos negócios internos e externos. Além disso, com menos um motivo para se preocupar, haveria possibilidade de progressão na área de armazenamento e estocagem de grãos e mercadorias, o que diminuiria a perda de produtos e negócios por falta de conservação.

Essa seria a verdadeira capacitação profissional da logística. Nem deveríamos pensar se as pessoas estão sendo bem treinadas ou não para se tornarem bons trabalhadores, isso já deveria ser de praxe. Se ainda não o é, com a ideia de se trabalhar com a mentalidade do investimento e não dos “custos” o quadro pode mudar no Brasil, que com isso só tem a ganhar. Sem dúvida, neste momento, estaríamos discutindo outros índices que não os de atingir ou não um nível satisfatório de mão de obra. Quando for assim, o setor de logística do Brasil será um dos melhores do mundo.